quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ENQUADRAMENTOS, ÂNGULOS E MOVIMENTOS DE CÂMERA

ENQUADRAMENTOS:
O quadro de vídeo é um retângulo fixo de proporções bem definidas (razão de aspecto 4:3 ou 16:9). Assim todas as vezes que apontamos a câmera para um determinado local, e observamos através do visor (viewfinder), temos a responsabilidade de definir não só o que é visto, mas como é visto. A Câmera, através de sua imagem, sempre nos dará o ponto de vista do diretor. Além disso, o enquadramento forma a base para a composição da imagem. Entendemos por composição da imagem o arranjo dos elementos do quadro: o assunto principal, o primeiro plano, os motivos secundários. É a qualidade estética da imagem que inclui textura, equilíbrio de cores e formas, volumes e outras variáveis que combinadas formam uma imagem comunicativa e agradável de se ver.
A composição da imagem é responsabilidade de muitas pessoas que trabalham na produção. Desde o operador de câmera até o diretor do programa, passando pelo cenógrafo, iluminador e diretor de fotografia, todos tem participação no resultado final.
O senso estético pode ser um talento nato ou ser desenvolvido com o estudo e a observação de trabalhos de bons diretores, fotógrafos e profissionais da área.
A composição da imagem deve ter como objetivo alcançar um efeito emocional, passar um clima, quebrar a monotonia. Compor não é só criar bonitas imagens, compor é mostrar imagens apropriadas. Deve-se enquadrar levando-se o espectador a olhar o que se deseja, a fixar a atenção em algum ponto da cena. E este centro de interesse pode estar no primeiro plano, no meio ou atrás. É preciso levar em conta a forma, o tamanho, a importância na cena das pessoas ou objetos. Se uma imagem não está bem composta, o espectador desvia sua atenção para um ponto não interessante da cena.
Os elementos de uma cena devem estar ordenados de maneira que tenham sentido para o telespectador que observa atento.

É importante observar o quadro por inteiro e não só o personagem ou o objeto principal. Com isto evita-se, por exemplo, plantas no fundo da cena que pareçam sair da cabeça de uma pessoa.
A Escala dos Planos:
1)– Plano Geral (PG)
É um plano que enquadra uma grande parte do cenário. Ele é mais descritivo onde o personagem não tem tanta importância.
2) Plano de Conjunto (PC)
Enquadra a área onde se desenvolve a cena, ou seja, o cenário ainda se impõe, só que agora, os elementos já estão mais definidos.
3)- Plano americano (PA)
A partir deste plano todos serão sempre definidos em função da presença humana. Este plano corta a figura humana na altura dos joelhos.
EX: Jornalista na represa Guarapiranga mostrando a seca. Ele está de botas com os pés imersos dentro da água. A reportagem começa com plano de conjunto e fecha até o plano americano. Com isso o repórter fica mais próximo do telespectador, seu rosto fica mais definido, mas ainda assim mostra a situação em que ele está.
4)- Plano Médio (PM)
A pessoa aparece cortada da cintura para cima. O cenário já não tem mais tanto valor.
5)- Plano Próximo (PP)
A pessoa aparece cortada do busto para cima. O cenário não aparece e a expressão facial começa a ter um peso determinante.
6) – Primeiríssimo plano ou close up (PPP)
O rosto ocupa praticamente todo o quadro. Tem grande intensidade dramática e psicológica, pois coloca a expressão humana como centro de interesse.
7)- Big close-up
As partes do rosto que exprimem emoção são totalmente valorizadas.
8)- Plano de Detalhe (PD)
Não tem um limite definido podendo enquadrar partes de uma pessoa ou objeto. É usado como “insert” dentro de uma cena, quando ser quer chamar a atenção para um ponto específico.
9)- Plano seqüência (PS)
Quando registramos a cena em uma só tomada, sem corte ou interrupção. Leva em consideração a forma e o conteúdo da narrativa. EX: filme “weekend” (1967) de Godard mostra um travelling em plano seqüência com muita emoção. Filme “A Marca da Maldade” (1958) de Orson Welles, Russian Ark (2002) de Alexander Sokurov.


Confira os enquadramentos utilizados no curta metragem 
V DE VIROSE


Os ângulos:
Além da divisão em planos, a câmera pode ser definida quanto a sua inclinação.
1)- Câmera alta ou plongée
Enquadra a pessoa de cima para baixo dando a impressão de achatamento ou inferioridade.
2)- Câmera baixa ou contre-plongée
Ao contrário da câmera alta dá a impressão de superioridade.
3)- Câmera na diagonal
Gera um desequilíbrio na imagem criando uma tensão interna. É usada para revelar estados de desequilíbrio.
EX: pessoa passando mal --- câmera em close-up pegando o rosto de lado.
4)- Câmera Subjetiva
Uma câmera subjetiva é aquela em que temos a impressão de estarmos olhando a cena com os olhos do ator ou atriz.
EX: Bate-se na porta e uma mulher atende. Mostra-se essa mulher em primeiro plano e a pessoa que bateu na porta em primeiro plano também. Elas conversam entre si e as cenas as mostram de frente uma falando com a outra. A câmera assume o papel (ponto de vista) de cada um dos personagens.
Outro exemplo é um homem andando por um matagal as pressas. Aparece ele andando do ponto de vista dos seus olhos pelo matagal. Causa apreensão, medo.
Hitchcock utilizou muito essa técnica em seus filmes. Martin Scorcese em Táxi Driver utilizou esse recuso baseado nos filmes que viu de Hitchcock.
Movimentos de Câmera:
A escolha do que é visto e de como é visto é um dos principais recursos narrativos da linguagem videográfica. Além dos planos e ângulos a câmera tem o recurso de mover-se em relação à sua base e ao eixo da ação.
1)- Panorâmica (PAN)
Este movimento descreve uma cena horizontalmente, podendo ser da esquerda para direita, mas existem objeções de fazê-la da direita para esquerda, pois estaria em desacordo com o modo da leitura ocidental
2)- Tilt ou pan vertical
Descreve um objeto, um prédio, uma pessoa no sentido vertical, ele pode ser usado de cima para baixo, ou de baixo para cima, dependendo da intenção da descrição.
3)- Travelling
A câmera pode movimentar-se, aproximando ou afastando, da esquerda para direita (ou vice-versa) ou de cima para baixo (ou vice-versa)
4)- Zoom in e zoom out
Utiliza-se como movimento o recurso que a lente Zoom possibilita:
Zoom in - traz a imagem distante para bem próxima;
Zoom out - leva a imagem próxima para longe.
Técnicas para Gravação:
1)- Eixo da câmera
A captação de cenas obedece a uma regra de posicionamento de câmera, chamada eixo.
É um eixo imaginário de 180 graus que divide a cena.
Quando uma das câmeras ultrapassa o eixo dos 180º, dizemos que ela "quebrou o eixo".
2)-Plano e contra-plano
Numa entrevista, por exemplo, enquadramos os dois participantes em
Close up e ao enquadrarmos um dos participantes o outro aparece apenas com a parte e trás da cabeça.
3)- Regra dos Terços
Olhando pelo visor da câmera e dividindo mentalmente o quadro em três partes (três horizontais e três verticais) as melhores imagens são aquelas onde o assunto principal não está no centro e sim em um dos quatro pontos de interseção chamados de pontos de ouro ou áureos. A colocação em um destes pontos vai depender do assunto e de como ele deve ser apresentado. Por exemplo, os olhos de um personagem devem ficar na linha superior. O horizonte não deve ficar no centro do quadro e sim na linha superior ou na inferior quando se quiser dar mais ênfase ao primeiro plano. Esta é uma regra que deve ser seguida em tomadas normais, mas pode-se por razões dramáticas ou para isolar um objeto do todo, enquadrar de outra maneira.
4)- Continuidade
Essa é uma técnica de gravação que o profissional deve ter atenção redobrada. Não há nada mais feio numa cena do que descontinuidade.
Exemplo: Numa cena a mulher está de cabelos molhados e sai da sala para ir até o jardim externo. Na cena do jardim a mulher aparece entrando, vindo da sala, de cabelos secos.
Um exemplo melhor é o quadro do programa Jô soares “Piscou Dançou!”
5)- Continuidade Direcional
Se a criança está engatinhando da esquerda para direita, o câmera deve deixar um espaço no lado direito dando a entender que a criança ainda tem espaço para engatinhar.
6)- Continuidade Temporal
Ocorre quando conseguimos manter uma relação coerente entre o tempo real e o tempo representado.
Os conceitos abaixo são fundamentais para o entendimento da continuidade temporal.
Tempo de história – TH ----------- eu defino
Tempo de discurso – TD ----------- eu assisto
Meu TH pode ser do início do século XX até hoje. Meu TD para esse TH pode ser de 2 horas.
- Quando TH é maior do que TD teremos uma elipse
EX: está passando um filme, aparece um cartão (tela preta com GC)
Escrito “passados 5 anos....”e a história continua 5 anos depois.
- Quando TH é menor do que TD teremos um sumário
EX: eu possa falar de um acontecimento que durou 1 minuto em 2 horas. O assassinato do Presidente John Kennedy.
7)- Linhas
As linhas reais de uma cena, aquelas formadas pelos objetos, pelas pessoas e pela direção do movimento podem proporcionar um clima e levar a atenção do espectador ao centro de interesse. A atenção a esse detalhe demonstra bom gosto e grande preocupação com a estética da imagem.
8)- Tonalidade, Equilíbrio e Moldura
Tonalidade – vem da característica tonal da imagem. É dada pelos valores tonais dos elementos da cena ou pela iluminação.
Tons claros dão leveza à cena enquanto tons mais escuros dão geralmente um aspecto mais sombrio, dramático.
Equilíbrio - deve-se montar a cena tendo preocupação com o seu volume. Os elementos de cena devem estar distribuídos de forma que o telespectador tenha outros interesses além do que ele está olhando.
EX: Numa entrevista num parque onde o entrevistado fala sobre novos projetos para este parque, pode-se enquadrar o entrevistado em primeiro plano desloca-lo para a direita do quadro e ao fundo colocar o lago do parque com pedalinhos etc.
Moldura – na tv analógica a moldura está numa razão de aspecto de 4x3. No cinema e na tv digital a moldura está e estará numa razão e aspecto de 16X9. Deve-se ter atenção para este detalhe. O arranjo dos objetos de cena de uma moldura para outra são naturalmente diferentes devido a espacialidade existente em um e no outro.
EX: Numa moldura 4x3 não é possível colocar todo um quarto na tela de forma a não carregar com excesso os elementos de cena. Já na moldura 16x9 a possibilidade é maior usando o mesmo plano.


Exercícios de fixação: PENSANDO IMAGETICAMENTE
Em uma folha de papel de caderno faça o seguinte exercício:
1)- Imagine uma pessoa atendendo ao telefone e recebendo a notícia que seu esposo faleceu. Que plano você usaria para mostrar essa situação?
2)- Um homem rouba uma carteira de uma senhora que está em um ponto de ônibus. Uma das pessoas que está no ponto é um rapaz ágil e sai correndo atrás do homem agarra seu pescoço e o derruba no chão. Que plano/ángulo/movimento de câmera você usaria nessa cena. O tempo de duração da cena é de exatos 15 segundos?
3)- Uma pessoa corre dentro de um apartamento em que existem uma seqüência de 4 janelas. O diretor decidiu que a tomada será por fora onde a câmera o acompanhará. Que movimento de câmera você usaria nessa cena?
5)- Você saberia me dizer que planos são esses?






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