sábado, 11 de junho de 2011

PROCESSOS CRIATIVOS NA CONSTRUÇÃO DE FIGURINO

Primeiramente O QUE É FIGURINO?


FIGURINO pode ser caracterizado como um conjunto de vestimentas e seus acessórios, usados pelos atores em cena.

*** Obs. “O figurino pode existir mesmo sem pessoas, depende de como o objeto é manipulado.”

As principais características que um bom figurino devem ter são: COR, FORMA, ORIGEM, MOVIMENTO, TEXTURA, VOLUME. Lembrando que para se ter um bom figurino não se trata de beleza e sim de expressão.




Abaixo, estão alguns exemplo de figurinos de grandes produções do cinema, e também personalidades atuais que se destacaram por causa de seu figurino.



O figurino é um elemento muito importante e essencial para a composição de um personagem, muitas vezes, o personagem fica conhecido pelo seu traje, maquiagem, acessório. Muitas vezes, um personagem secundário acaba se destacando por ter um figurino, que mostra um conceito, uma expressão forte. Havendo casos, de o personagem secundário, acabar se destacando mais que o próprio protagonista, como no caso do filme Batman Begins, onde o Coringa, acabou se destacando mais do que o próprio Batman.

O FIGURINO DE SONHOS DE LIBERDADE
Produção de 2014, do Grupo Transformar que traz o conceito de transformação 
na Direção de Arte. Perceba a transformação que o figurino da personagem Alice, 
tem ao longo das cenas. Abaixo segue os croquis do projeto, acompanhado de fotos e 
do link para que você possa conferir o filme e perceber melhor como se deu a construção 
do figurino deste trabalho.















A Lady Gaga é um exemplo que de personalidade, que graças a sua exuberância e excentricidade, aliados ao seu visual, oras futurista, rebuscado e/ou detalhista, mas sempre chamando a atenção, revolucionou todos os conceitos e padrões, sendo considerada hoje uma forte referência na evolução do figurino.

Pois afinal, gosto é gosto, mas se tratando de figurino:

Não se trata de beleza e sim de expressão....



FIGURINO OU ADEREÇO?

Como distinguir alguns objetos que podem ser considerados figurino e adereço? É necessário analisar o contexto, por exemplo, um chapéu na cabeça de um ator é um figurino, um chapéu em uma chapelaria é um adereço.


ORIGENS E CURIOSIDADES

As origens do "Figurino", vem de tradições anteriores ao teatro grego, que seriam as tradições orientais, de cerca de 5 mil anos atrás.


A cultura KATHAKALI, que mistura dança, teatro, literatura , poesia... é um exemplo que traz em suas tradições milenares , trajes, pinturas, mascaras, que fazem referencia as origens do figurino.

O teatro de NOH, apresenta em suas tragédias, importantes elementos para o figurino, como as máscaras kabuki, e o QUIMONO, onde cada “categoria” de mulher tem uma amarração diferente em seu quimono, assim como cada manga, peruca tem um código.



Por volta de quinhentos anos antes de Cristo, surgiu em Atenas a figura de TEPIS, considerado como sendo o “primeiro ator” (ocidental). Ele era praticamente tudo, encenador, ator, autor e até mesmo empresário. Criou um teatro ambulante, promoveu a criação de festivais e também de máscaras. A maioria dos historiadores costumam dividir o teatro em dois grandes períodos.

O período inconsciente em que as manifestações eram expressadas através de rituais, pantomimas religiosas e atos mágicos, e aquele que é escrito com finalidade especifica de representação, na Grécia antiga, estes povos realizavam festas em honra ao Deus DIONISO. Estas festas eram realizadas tanto no campo (rurais) como na cidade (urbana). Acontecia de tudo, procissões, danças, cânticos e corais. As festas no campo eram logo transformadas em concursos de tragédias e comédias. As festas urbanas eram iguais as rurais, mas eram realizadas durante toda a semana, mas somente na primavera. Convencendo-se que o teatro ocidental nasceu na Grécia, no culto ao Deus DIONISIO e suas manifestações, várias eram as histórias que se falavam deste Deus. O jovem Dionísio era perseguido pelos Titãs e estes mataram-no, cortaram-no e pedaços e atiraram-no para dentro de uma caldeira com água fervendo. Mas DIONISIO renasceu gloriosamente. Já em outra versão, mostram-nos DIONISIO aflito, lançando-se ao mar para fugir a perseguição de Licurgo o assassino de homens, recolhido por Tetis e cegado por ZÉUS, morre para finalmente ressuscitar triunfantemente após a paixão.

Curiosidade:

ORQUESTRA – lugar onde se dança

TEATRO – lugar onde se vê

O Teatro grego era de caráter religioso


Vestuário grego:

-Chiton masculino

-Clâmide feminina

Obs.: dependendo da condição social a roupa tem uma faixa...


O código das cores:

-VERMELHO - herói romântico

-AMARELO – prostituta

-BRANCO - pureza

-PÚRPURA – reis / monarquia

-PRETO - negação da vida / elegância e refinamento



TEATRO ROMANO


-Todos os teatros são construídos

-MIMO- peça mímica ( comédia)

-Só constrói teatro em pedra depois de 55 d.C

-TEATRO VIRA ENTRETENIMENTO

Vestuário romano:

-Túnica

-Pala

-Coroa de louros ( só se usa quando vai a guerra e volta vitorioso)

-Cor turquesa e preto_ reservados para classes nobres, por que eram as pigmentações mais difíceis

-Cabelo escondido – por que cabelo é intimidade


IDADE MÉDIA

-Teatro como atividade religiosa

-Espaço cênico: a própria igreja

-Encenações em procissões, praças, portas de igreja...

Vestuário


-Amarrações

-Calças com 2 pernas

-Roupas justas

-Espaço cênico e figurino muito rico.



SÉCULO XIX

Não existe diretor ( grandes atores não ensaiam)

-A luz da sala é acesa

-Orquestra aparente

-Palco italiano



BREVE RESUMO DE NOMES IMPORTANTES PARA O DESENVOLVIMENTO DAS ARTES CÊNICAS E DO FIGURINO E CENOGRAFIA

RICHARD WAGNER

Começa a trabalhar com o simbolismo no teatro, passa a retratar os sentimentos com as cores. Inova: constrói novo teatro , com a “orquestra abaixada”. Tira as colunas no meio da sala.

ADOLF APPIA

Continua as inovações no teatro, mas é um idealizador, pois não tem contatos nem condições sociais para bancar seus projetos. Trabalha melhor o cenário através de símbolos. Questiona a forma de ser do figurino, encenação, iluminação. Cria a malha preta ( hoje utilizada em dança).

EDWARD CRAIG

É da mesma época e têm os mesmos ideais que Appia, porém como tem muitos contatos e também melhor condição social, consegue realizar grandes obras, diferente de Appia, que apenas as idealiza.

STANISLAVISKI

Estabelece régras como não jogar dentro do teatro, cria o Teatro de Arte de Moscou, onde pode trabalhar técnicas de interpretação que auxiliaram no desenvolvimento do figurino e da cenografia.

Redação por: Maria Cecília Amaral / Contato: ceciliamaral.miribel@gmail.com


BIBLIOGRAFIA


VIANA, Fausto. O figurino teatral e as renovações do século XIX.

-NETO, Campello. O percurso cenográfico.

-STANISLAVISKI, Constantin. Minha vida na arte.

-MELLO E COLZA, Gilda. O espírito das roupas, a moda do século XIX.

BARBA. Eugênio. A arte secreta do ator.

-RIBEIRO, Almir. KATHAKALI.

-DENIM, Marcelo. Cenografia da face

-LEVINKIN, Melissa. História ilustrada do vestuário.

-BERTOLDI, Margot. História Geral do teatro

-KOHLER, Carl . História do Vestuário

Veja abaixo algumas atividades que aconteceram nesta oficina durante o curso:

Exercício de Construção de personagens através do figurino



Alunos durante a oficina de Figurino
Alunos durante a oficina de Figurino
Alunos durante a oficina de Figurino
Alunos durante a oficina de Figurino
Alunos durante a oficina de Figurino
Alunos durante a oficina de Figurino

Alunos durante a oficina de Figurino



Exercício: imagine e desenhe um figurino que represente a solidão e um personagem feio e odioso!!


Figurino para solidão: representado em uma noiva deixada no altar, então agora ela está solitária...

Por: Amanda


Figurino para solidão: representa um senhor rico que vive sozinho por causa de sua ganância e obsessão de poder...

Por: Caique Sakaki Coelho


Figurino para solidão

Por: Barbara Anne de Omena Evangelista


Figurino para personagem "feio e odioso": representado através do tempo, pois a cada minuto que passa, estamos mais velhos...

Por: Allison


Figurino para solidão: representado no dois lados de uma pessoa que se sente só: um lado obscuro, e o outro social...

Por: Allison



Exercício de construção de cena


Alunos e monitores durante o Curso de Cinema e Vídeo

Alunos e monitores durante o Curso de Cinema e Vídeo

Alunos e monitores durante o Curso de Cinema e Vídeo

Alunos e monitores durante o Curso de Cinema e Vídeo

Alunos e monitores durante o Curso de Cinema e Vídeo


Alunos e monitores durante o Curso de Cinema e Vídeo


sábado, 4 de junho de 2011

Desenvolvendo sua idéia - aprendendo a construir o ROTEIRO



Turma do curso de Cinema e Vídeo na oficina de roteiro

Roteiro para curta-metragem:

-conteúdo e forma
O filme é sobre...

Premissa: a primeira fagulha de uma história.

Exemplos de premissas:
• Um casal que acorda um no corpo do outro?
• Um tenista aposentado que acredita que a vida depende da sorte?
• Um psicopata que ataca as pessoas pensando que é a própria mãe?

Uma premissa é tudo o que você diga “Puxa, isso daria um filme”!

Mas uma premissa ainda não é um filme. Nem mesmo um roteiro.
Um filme nasce com o storyline. Um storyline é...

A história do filme contada em um parágrafo curto.

• Segundo o filme “O Jogador”, em 20 palavras ou menos!
• Resume a história do início até o final, introduzindo personagens principais.
• É aquilo que contamos para um amigo que pergunta do que é o filme na saída do cinema.

Monitora de Roteiro Cristina e turma do curso de Cinema e Vídeo na oficina de roteiro

Uma boa história para audiovisual...
• Se presta a ser contada com sons e imagens.
• Tem conflitos e personagens com os quais nos identificamos e cujo final ou
desenvolvimento não adivinhamos.

Mas o que são conflitos?
Conflitos em dramaturgia são questões que são resolvidas durante a história, através do
confronto entre protagonista (s) e antagonista (s).

>>> Traduzindo...

Conflitos são...
• Aquilo que os personagens querem conquistar e precisam lutar para isso.
• Luta entre o homem e a natureza (como em “Mar em Fúria”, “Terremoto”, etc.)
• Luta de homens contra homens (de “West Side Story” até “Duro de Matar”)
• Luta de homens consigo mesmos (filmes de superação pessoal, dramas intimistas, etc.)

E os personagens?
• Dão vida aos conflitos, assumindo suas posições e objetivos.
• Nos identificamos com eles e suas buscas,nos envolvendo com a trama.
• Os personagens evoluem ao longo da história, são modificados por ela.

Monitora de Roteiro Cristina e turma do curso de Cinema e Vídeo na oficina de roteiro


Um exemplo de conflito...Que poderia gerar uma história:

Você está num táxi indo para a rodoviária, quando...

>>> Um exercício de criatividade:
podemos criar conflitos com qualquer coisa!

Você pega um táxi para a rodoviária...E diz para o motorista: “Vamos logo.Meu ônibus sai daqui a pouco!” Só que o táxi pára em um engarrafamento, a um quilômetro da rodoviária.

E agora? Sai correndo ou espera?

Você pega um táxi para a rodoviária...E diz para o motorista: “Vamos logo.Meu ônibus sai daqui a pouco!” O taxista parte em alta velocidade, desviando perigosamente. E sofre um
ataque cardíaco.

E agora? Como salvar a SUA vida?

Você pega um táxi para a rodoviária...E diz para o motorista: “Vamos logo. Meu ônibus sai daqui a pouco!” O taxista pergunta: “Tem certeza? Viu que entrou o horário de verão?”

E agora? Ajusta o relógio e fica emburrado ou apenas fica emburrado?

Você pega um táxi para a rodoviária...E diz para o motorista: “Vamos logo.Meu ônibus sai daqui a pouco!” Só que a taxista é a sua velha (o) namorada (o) do segundo grau,
aquela paixão mal resolvida.

E agora? Pigarreia que na verdade vai ao aeroporto?

Você pega um táxi para a rodoviária... E diz para o motorista: “Vamos logo. Meu ônibus sai daqui a pouco!” Só que um caminhão bate no táxi, a poucas quadras de sua casa.

E agora? Quando chega a ambulância?

Você pega um táxi para a rodoviária... E diz para o motorista: “Vamos logo. Meu ônibus sai daqui a pouco!” E o taxista diz “Graças a Deus! Faz dias que não converso com ninguém!”

E agora? Como carregar mais essa mala??

Você pega um táxi para a rodoviária...E diz para o motorista: “Vamos logo. Meu ônibus sai daqui a pouco!” Perto da rodoviária, você se lembra que não desligou o fogão.

E agora? Sai de férias e incendeia a casa ou volta?

Você pega um táxi para a rodoviária...E diz para o motorista: “Vamos logo. Meu ônibus sai daqui a pouco!” O táxi chega a tempo, mas o taxista não tem troco.

E agora?

Você pega um táxi para a rodoviária... E diz para o motorista: “Vamos logo. Meu ônibus sai daqui a pouco!” O táxi chega a tempo, você entra no ônibus e tudo acaba bem.

Para uma narrativa, qual é a graça? Cadê o conflito?

Ou seja, para interessar é preciso ir além do “normal”. Senão, pra que ficar olhando?
E como isso tudo se torna um roteiro?

Da premissa ao roteiro...

• Premissa: isso daria um filme!
• Storyline: a história em um parágrafo.
• Argumento: contando em detalhes a história, mas de forma coloquial.
• Roteiro: história escrita pensando para a câmera e os microfones!
• Reescrever, reescrever, reescrever...

Mas como organizar a história?

O velho truque dos três atos!
• Primeiro ato: apresenta os personagens, o que eles estão buscando e o que está em jogo.
• Segundo ato: desenvolve os conflitos, sem entregar o “ouro para o bandido”.
• Terceiro ato: resolve os conflitos, atribui os vencedores, etc.

Primeiro ato
• Do que trata a história?
• Onde e quando ela se passa?
• Em quem eu presto atenção?
• Isso interessa ou já deu pra adivinhar onde vai chegar?
• O que está em jogo?

Segundo ato
• Os personagens se desenvolvem a partir de suas ações.
• Já pensou se o Superman só falasse que sabe voar ao invés de sair voando mesmo??
• Os conflitos crescem e se esclarecem.
• Mas há as viradas.
• E as plantadas.

Terceiro ato
• As coisas “precisam” se resolver, por exemplo:
• Em “Soldado Ryan”, os alemães não podem passar de uma ponte.
• Em “Náufrago”, ele sai da ilha (na jangada amarrada com fitas de vídeo!!!)
• Em “De Volta Para o Futuro” o raio tem hora para cair!


Turma do curso de Cinema e Vídeo na oficina de roteiro


Mas precisa ser assim?
• Não, esta apenas é a estrutura mais comum.
• Filmes como Amarcord, La Dolce Vita e outros seguem uma estrutura narrativa de historinhas que costuram o interesse do espectador na próxima história e assim por
diante.
• E são muito legais!

No fundo, o que importa para o
roteiro é...

“Manter a atenção do espectador"
Jean-Claude Carrière,
Roteirista de “A Bela da Tarde”

Qual é a cara de um roteiro?

CENA 01 - INTERIOR - SALA DE AULA / NOITE
Vários alunos já estão sentados na sala de aula. Alguns poucos estão chegando, enquanto ROBERTO e GUSTAVO estão à frente, abrindo a conversa. O roteiro é projetado com um data show na parede.

ROBERTO
Essa é a cara de um roteiro de ficção moderno. Não é literatura.

GUSTAVO
É escrito de forma sintética.

ROBERTO
Você escreve o que pode ser visto e ouvido, com poucas rubricas e detalhes.

GUSTAVO
E isso vira um filme.

ANALISANDO POR TRECHOS:

>>> CENA 01 - INTERIOR - SALA DE AULA / NOITE
Onde e quando se passa a cena?
• Interior ou exterior?
• Onde NA TRAMA se passa a cena?
• De dia? De noite?
• Cenas são numeradas em ordem crescente!

>>> Vários alunos já estão sentados na sala de aula. Alguns poucos estão chegando, enquanto ROBERTO e GUSTAVO estão à frente, abrindo a conversa. O roteiro é projetado com um data show na parede.

Descrição de ambiente e ações
• Frases curtas.
• Escrevemos o que vemos e ouvimos.
• Apenas os detalhes essenciais para a trama aparecem.
• Personagens grifados em maiúscula.
• Alinhado pela esquerda.

>>>
ROBERTO
Essa é a cara de um roteiro de ficção moderno. Não é literatura.

GUSTAVO
É escrito de forma sintética.

ROBERTO
Você escreve o que pode ser visto e ouvido, com poucas rubricas e detalhes.

GUSTAVO
E isso vira um filme.

Diálogos:
• Centralizados
• Nome do personagem precede a fala, em maiúsculas.
• Escrito em linguagem coloquial, de acordo com a maneira de falar de cada personagem.
• Fale em voz alta após escrever a frase! Ficou natural? Não? Reescreva!
• Formato facilita leitura do elenco.


Esse formato de roteiro permite:
• Que o roteirista se concentre em contar a história, sem colocar posições de câmera, etc.
• Medida: uma folha A4 em corpo 12, espaço 1,5 dá mais ou menos um minuto de projeção.
• Que o elenco encontre com facilidade seu texto.


Bibliografia

Um pouco mais sobre Roteiros

• “Manual do Roteiro” Syd Field
• “4 Roteiros” Syd Field
• “Como Contar um Conto” Gabriel Garcia Marquez
• “Linguagem Secreta do Cinema” Jean-Claude Carrière
• “Do Argumento ao Roteiro” Doc Comparato
• “O Circo Eletrônico” Daniel Filho

Texto desenvolvido por: Izabel Cristina Macedo Amaral
contato: bel_letras@hotmail.com

Monitores do curso de Cinema e Vídeo

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